De jornaleiro e jornalista a marido e mulher…

Por Bárbara Beraquet

Aos 17 anos, eu não achava, eu tinha certeza de que o mundo era meu. E era mesmo! Via um desfile de possibilidades a minha frente. Ainda no colegial, preparando-me para o vestibular, fui com algumas amigas para um simulado no Campus I na PUC-Campinas. Respondi as questões sem muita vontade, para ser sincera, por que, nesta altura, já me sentia preparada para as “provas de verdade”. Foi ao sair da prova que a coisa ficou interessante rsss Bati os olhos nele, descendo as escadarias, e vi toda nossa vida juntos. Quando um encontro de almas acontece, sentimos, de imediato. Ou é, ou não é.

Fui até ele com uma pergunta boba sobre a prova e começamos a conversar. Nos reunimos a alguns amigos em comum, nos pés da escadaria, mas parecia que só existíamos nós dois – parecia que havíamos nos conhecido por toda a vida. Não queríamos mais ficar longe um do outro.

Daquele momento até o começo de namoro, foram alguns meses de conversa sentados numa banca de jornais, onde ele trabalhava. Sob o pretexto de comprar pães na padaria que ficava atrás da banca, eu o visitava sempre que podia. Mais tarde, ele me revelou que imaginava que o motivo para eu ir tão longe da minha casa, só para comprar pães no Balão do Kennedy, era gostar muito do pão francês de lá. Demorou para ele entender que eu gostava muito era dele!

Foram oito anos de namoro, com algumas interrupções, dúvidas, desistências, mas sem vítimas fatais – todos se salvaram no final – e quatro anos de casados, em que dá vontade de sair correndo, de tempos em tempos, mas anos muito abençoados.

Crescemos juntos, passamos juntos pelo fim da adolescência e início da vida adulta. Nossos corpos mudaram, nossas formas de pensar e agir em muitas situações. A banca de jornal foi demolida e deu lugar a um estacionamento. Ele deixou de ser jornaleiro e eu me tornei jornalista. Com o tempo, ficamos mais ponderados, mais seguros e assertivos; perdemos, juntos, os receios daquele futuro “que nunca chega”.

Falo, sem medo, que o dia do casamento não foi o dia mais feliz da minha vida. Foi um dia feliz, sim, em que se reuniram amigos e famílias, em que comemoramos, com eles, a nova família que se formou; mas os dias mais felizes, esses são feitos na calma da vida a dois, quando estamos juntos, sem pretensões, preparando um jantar gostoso e papeando na cozinha.

Nos casamos num domingo muito quente de novembro, com um almoço que me disseram ser delicioso; não sei, por que não comi. Bastava eu dar uma garfada, chegava algum parente ou amigo para me felicitar. E as garfadas nunca chegaram à boca. Talvez, por isso, eu tenha desenvolvido uma estranha fascinação/ fixação por comidas de casamento. Um amigo ofereceu, como presente, a sua música, e, assim, cercados de carinho e familiaridade, entramos, eu e Fernando, para confirmar o nosso “sim”, ao som de “Dia Branco”. Não me preocupei em ter uma festa perfeita, por que a vida não é. Aceitar que aquele momento fosse bom, apesar dos pequenos detalhes que sempre escapam, fez com que eu me divertisse muito mais.

Costumo brincar que leva um tempo para “se conformar” com o casamento, por que, com ele, morrem muitos sonhos. Outros, nascem a partir dele. Assim é assumir a vida a dois, consciente de que não existem escolhas sem renúncias. Mais satisfatório do que a paixão do começo – e não que a paixão deixe de existir– é o cuidado que um tem pelo outro. E, assim, aquela vida que vi, quando encontrei os olhos dele pela primeira vez, vem acontecendo.

Agora, chegando aos trinta anos, consigo enxergar meu marido com a compaixão e delicadeza necessárias para que a felicidade seja nossa, e parta de nós para quem nos cerca. Percebo que para ele também é assim. Por que, se estarmos juntos não despertar o melhor de nós, então nada faz sentido! Existe um amor maior do que todos nós e um amor maior em cada um de nós, pronto a se doar, mesmo diante da mesquinhez do nosso mundo.


Dia Branco

Composição: Geraldo Azevedo/ Renato Rocha

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo…

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva…

Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar…

Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh…

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo…

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva…
Se a chuva cair

Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar…

E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor…

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Comigo, comigo.

2 respostas para De jornaleiro e jornalista a marido e mulher…

  1. Regina disse:

    Oi Tatianinha!!!

    Estava com saudades do blog!!! Continua lindo!
    beijos

  2. Pathy Pimentel disse:

    Que linda história!
    Parabéns…

    Gostei muito do blog tb…

    beijos Tati

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