Paraíba: um Estado a ser desvendado

maio 27, 2010

Por Tatiana Vasques

Antes de começar essa coluna, preciso primeiro agradecer pelo retorno que venho recebendo. Os comentários são um estímulo para mim. Muito obrigada.

Já sobre o destino da vez, hoje vou falar sobre a Paraíba. Sei que pode parecer estranho, afinal, esse Estado ainda não tem grande apelo turístico e eu digo: por isso mesmo, ele é tão encantador e merece ser visitado.

Da mesma forma que o leitor, eu também nunca tinha pensado em ir para lá, porém duas coisas me estimularam: um casal de amigos conheceu o local e fez muitos elogios e, em segundo lugar, o preço é atrativo, pois como não há demanda, o valor é acessível. E, diante desses fatores e do fato de que, para mim, qualquer viagem vale a pena, basta saber aproveitá-la, eu e meu marido fizemos as malas e fomos para lá.


Ah, quantas surpresas! O Estado da Paraíba não tem muitas praias exuberantes, isso é verdade, mas por outro lado, tem um povo extremamente educado, limpo e acolhedor. Um exemplo: o hotel em que fiquei hospedada, o Tropical Tambau é o melhor de João Pessoa, fica na rua principal e, literalmente, é pé na areia. Assim, todas as noites, ficava fácil dar uma volta no calçadão da praia e aí foi meu encanto: o calçadão é MUITO limpo. Não vi nada igual em outras cidades praianas em que já estive presente.



Paralelo a tudo isso, o Estado é barato. Um rodízio bem caprichado de pratos de camarão custava em torno de R$ 20,00 quando eu fui no ano passado. E dava para comer até enjoar. Os barzinhos também tinham preços bons e as barracas na praia de dia e de noite não eram caras.

Falando em praias, como eu disse, João Pessoa mesmo não tem muitas para ficarem gravadas na memória, porém nas redondezas há duas que merecem destaque: a Praia Bela e Tambaba. Na realidade, a Praia Bela é uma mistura de lagoa de água doce com a água salgada do mar. Para chegar até ela, passamos por uma barraca rústica e uma ponte. A barraca coloca mesas e cadeiras dentro da água e é lá que você é servido. Pura mordomia!



Já a Praia de Tambaba é a primeira e a mais conhecida praia de naturismo do Brasil. De um lado, ela é repleta de rochas e você pode ficar vestido. Para conhecer o outro lado, é preciso subir uma escada e deixar as roupas em uma espécie de guarda-volumes com segurança e entrar. Algumas regras devem ser seguida: ninguém entra na praia de roupa e homem não pode entrar desacompanhado. Confesso que morri de vontade de sentir essa sensação de liberdade, mas meu marido não teve coragem, mesmo sabendo, na ocasião, que existiam apenas 5 casais na praia. Eu insisti muito e ele até disse para eu ir sozinha, mas aí não teria graça. Com quem eu ia comentar o que estava sentindo em estar em contato com a natureza do jeito que vim ao mundo? Resultado: não conheci a praia como um todo. Uma pena! Quem sabe um dia!?


O centro histórico também tem muita coisa a contar e é bem conservado. Há ainda um mercado de artesanato local com lojas variadas, baseadas principalmente em malhas com algodão colorido orgânico. Elas são lindas.

Porém, uma das coisas mais bonitas e emocionantes que vivi na Paraíba foi ver o por do sol na Praia do Jacaré. Na realidade, não é uma praia. É uma lagoa e todos se reúnem por volta das 17h para ver o sol se por. Quando isso começa a acontecer, um saxofonista de branco navega pela lagoa tocando o bolero de Ravel. É lindo demais e o bolero só termina quando o sol se põe. É muito emocionante. Diversas pessoas choram. Isso geralmente acontece às 18h e aí começa a tocar a Ave Maria. O original saxofonista é o Jurandyr do Sax, mas no dia que fui, era um outro. Ao todo são três que se revezam. Esse espetáculo é indescritível. É passeio obrigatório.



Mesmo com tudo isso, eu ainda acho que o Estado da Paraíba só não é mais visitado porque falta propaganda e porque as pessoas são preconceituosas, afinal Paraíba é o lugar de “mulher macho, sim senhor”, e ser “paraibano” parece ser algo pejorativo. Falo isso porque pude perceber que quando eu dizia para as pessoas que eu fui passar férias na Paraíba, a pergunta era: “você tem parentes por lá?”, como se o simples fato de querer desvendar esse Estado fosse algo incompreensível. Por isso, fica a dica: não escutem o que dizem por aí. O legal é descobrir sua própria viagem e curtir cada momento, independente do que dizem as convenções. E vambora viajar.


Falando em viagem, na semana que vem, é feriado na quinta-feira e por essa razão, essa coluna não será publicada, afinal, a colunista que vos fala precisa viajar mais. Kkkkkk

Um abraço e bom feriado!

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